quarta-feira, 28 de maio de 2008


Preciso correr. Correr contra o tempo, correr, correr, correr. Não descobri ainda porque o céu é azul, e não de outra cor. Tampouco porque pássaros voam, golfinhos nadam, jubartes cantam, e o vento por entre as folhas de uma árvore também. Não descobri porque crianças levam 1 ano para andarem, e outros animais alguns minutos, nem porque uma lágrima de criança comova tanto, assim como o olhar de um pobre velho doente. Preciso correr, mais depressa que os amigos, para esperá-los logo mais ali na frente, correr para dobrar as curvas do meu caminho com tempo e calma, não correndo o risco de dobrar esquinas erradas. Correr... correr... Correr para tentar voltar a sentir o perfume de coisas que o cigarro não me permite mais sentir, correr para entender pq adultos estancam diante do problemas, enquanto as crianças caem, caem, mas estão sempre seguindo adiante em busca do que querem, independente dos obstáculos. Ainda preciso descobrir pq crescemos tanto, e ao invés da vida se tornar mais fácil, se torna mais dura, porque trabalhamos tanto, e quando estamos velhos e vamos descansar, não temos força, nem ânimo, nem saúde para fazermos tudo que sonhamos anteriormente. Quero descobrir porque algumas flores são rosas, outras brancas, outras violetas, outras margaridas. E porque algumas são rosas, mas de tantas cores são que nem sei ainda dizer quantas são, mas pra isso vou correr. Para descobrir. Porque hoje, eu senti uma coisa com muita força: que preciso correr. Correr se quiser ver tanta coisa que ainda quero ver, porque meu tempo... bom, é melhor correr... há tanta coisa ainda a fazer, ver, descobrir... nem sei se compensa... estou cansado. Pela primeira vez em minha vida, eu me sinto assim: cansado...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

A FORÇA QUE NUNCA SECA...


Outro dia assisti a um filme dado por uma amiga, que falava sobre a dificuldade de enxergarmos o que acontece à nossa volta, e tb sobre sermos aquilo que queremos ser, em determinado momento, e mais nada. Fiquei impressionado com essa idéia de prestarmos atenção a tudo ao redor, porque costumamos nos focar na vida, no momento, e não repararmos em mais nada. A idéia é que sejamos o que queremos ser, pois assim damos o melhor de nós, e enxerguemos tb as coisas ao nosso redor, por menores que sejam, para podermos entender a dimensão e os detalhes de cada coisa, por mais insignificante que sejam. Parece muito louco isso, mas ao contrário, é fantástico. Lembrei-me de quando quis fotografar em modo macro uma folhinha da planta quebra-pedra, e só na foto reparei que na folha havia flores, e bonitas. Aprender a olharmos os detalhes de cada coisa, de cada atitude, de cada ação, nos revela muito do que aquilo ou aquela pessoa é, e até mesmo, às vezes, a próxima atitude dela, por conhecermos tão bem a isso. Eu sempre gostei de tentar enxergar os detalhes de cada pessoa, no sentido de conhecer melhor a mim, e a elas. E prestar atenção nas coisas ao redor tem sido um exercício de vida maravilhoso. Dá impressão de perda de tempo, ir passando e registrando cada detalhe de tudo, mas me sinto como parte do universo. E muito, mas muito mais sensível a tudo, porque tenho a impressão que estou aberto a tudo também. Há alguns meses atrás ganhei um vaso de lírios corais tigrados, a flor de meu santo. Durou bastante, mas secou de uma hora para outra. Cortei o pé todo, peguei o vaso e o plantei em um vaso maior. Sei que lírios precisam ter seus bulbos retirados, guardados, e replantados na época certa. Não me importei, era um presente ao meu santo. Dias depois, apareceram algumas folhas. Saíam, e secavam. Com esse novo hábito de prestar atenção melhor em tudo, todos os dias andei acompanhando o pé de lírio. Começou a criar força, soltou 4 hastes de 10 cm de altura cada um. De repente, um botão. Lírios crescem muito antes de dar flor, mas com 10 cm, soltou um botão. Quando vi, senti um calor por dentro, e a mesma energia quando entro em contato com meu santo. Senti o dedo dele ali. Todos os dias eu passo, vou até o vaso, e procuro sentir a força daquela planta. Ontem o botão estava grande, todo alaranjado, e vi que abriria em dois ou tres dias. De madrugada ainda o olhei, e me surpreendi com ele tão pequeno, quase dando flor. Hoje amanheceu assim, aberto, maior que o próprio pé. Como o filme, ele acreditou no momento dele, que poderia florescer, embora pequeno pra isso, e deu essa flor enorme, e linda, em plena magnitude. E eu senti que essa flor veio para mim. Em um momento muito bom, muito importante. E a recebi com a mesma energia que ela despendeu para poder abrir, mesmo o pé sendo tão pequeno e frágil. Uma lição de vida, onde a beleza que temos para colocar para fora não depende do tamanho que temos, mas da força que exercemos para exteriora-la. Use sua força vc também, para mostrar a si mesmo que pode. Você vai se surpreender muito, com tudo que você é e pode fazer.