As vezes ele é duro, impiedoso, faz-se difícil e não perdoa, as vezes é calmo, tranquilo, traz saudade, requer admiração. As vezes castiga, é lição ou ensino que nem todos aprendem, chicoteia, faz sofrer, doer, sem perdão sequer. Mas as vezes marca a vida de forma serena, prospera, dá cria, enreda o destino de vez, faz sonhar. O tempo não para, mesmo que se durma ou tente não lembrar de sua existência. O tempo anota tudo nas folhas que derruba, e mesmo que a memória fique ali escondida e acabe esquecida...o tempo não. Ele é uma cicatriz única, que nunca fecha, só aumenta, um chão onde tudo dá, seja bom ou ruim, e cada vida, por mais insignificante, faz parte dele e consequentemente tem seu tempo. Não há tempo novo nem tempo velho, há tempo vivido e tempo a ser vivido, se assim os deuses quiserem. Tomara que esse tempo a ser vivido seja bom. Merecemos, como lição, aprimoramento, ou recompensa. Para todos nós, passíveis de erros de atitudes ou de julgamentos, ou simplesmente por inocência...
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
A LIRA DO DIABO VERSUS AS TROMBETAS DOS ANJOS

Nada melhor que falar de pecados, preconceitos e dogmas criados para o homem, por homens, e quebrados e gerados por eles mesmos. Não me assusta padres que mantém casos. Muito menos os casos homossexuais. Não me assusta os roubos da igreja, muito menos os em nome da paz prometida por deus, e entenda-se paz de espírito. Tampouco me assusta os sustos que a população diz levar por coisas que se tornaram tão banais e comuns no dia a dia. O ser humano se encontra perto do mais alto estágio da falta de respeito ao próximo, a deus, e principalmente a si mesmo. O "aproveitar a vida" justifica qualquer erro ou falta de caráter hoje em dia, e a frase" a vida é uma só" nunca foi tão usada para justificar erros e safadezas. Se em alguma época de inquisição não tão santa deus conseguiu fazer com que o juízo fosse algo a ser levado em conta, perde-lo está mais em moda que marombar-se em academias para que a masturbação mental seja plena e absoluta, e com ela a confiança da conquista da outra parte. Já foi o tempo que o caráter, a cabeça, a criação familiar e a fé eram levadas em conta. O mundo se perdeu nas mãos de quem veio povoa-lo racionalmente, simplesmente porque a razão é algo que não mais existe. A evolução dos dias traz para a fé a necessidade de uma evolução de esclarecimentos, de alargamentos de dogmas, até concordo, visto que o mundo nem deve acreditar em tanta penitência e castigos. O amor como forma de afeto, divisão e compartilhamento deu lugar ao capricho da quantidade e leviandade, e se deus era algo a se temer simplesmente porque enquanto pai queria a alegria, hoje ele nao deixou de existir, mas disputa friamente sua posição com o diabo, o pai dos prazeres, que permite tudo e cobra em silêncio, e sempre mais tarde. O pecado já deixou de ser pecado. Já virou alegria, festa, diversão, felicidade. E pecado é tudo aquilo que fere, machuca, seja a pessoa, ou ao outro lado. Mas quem pensa no outro lado? Quem pensa além do divertir-se? Não há mais mea-culpa.. A culpa é sempre de quem se deixou envolver, a culpa é sempre da maldita vida difícil que nos impele à descontração e momentos de relaxamento, como se houvesse qualquer justificativa pro que agride. Mas agride. E o que agride, avisa também que é hora de regredir. Os mesmos escolhidos para propagarem a fé são os que ensinam que errar é humano, esquecendo-se que deveriam estar no papel de divinizados, e com isso as nuvens deixam de ser de algodão, é são de fumaça de enxofre. Nunca... Nunca o ser humano se fiou em tão pouco. Nunca depositou seus sonhos em possibilidades tão pequenas, nunca se contentou com tão pouco, ou acreditou que no futuro terá tempo de consertar tudo. Não há culpados dentro da igreja, nem fora dela. Simplesmente porque a igreja deixou de existir há tempos. Nós somos a igreja, nós somos a fé. Portanto, o pecado da carne a fez deixar de existir, ao mesmo tempo que deixamos de ser templo. Que deus, enquanto fada que morre quando alguém deixa de acreditar nela, possa ressuscitar ao suspiro de fé de quem crê que algo lá encima faz as estrelas brilharem. Venerem a carne, e a amaciem em vida para os vermes que a comerão em morte. E aí, só deus que saberá... Isso se ele não estiver fazendo seres melhores, para algum outro planeta ainda em criação...
E o diabo ri....
terça-feira, 11 de setembro de 2007
TERRA SECA
Eita sol malvado forte que arrepia os cabelos fazendo brotar água onde nem tem! Sei lá de onde vem tanta quentura, só sei que o pó gruda, e cadê chuva pra limpar? Pé já está grosso de pisar esse chão bom pra fazer santo de barro, mas pó não gruda sem lágrima do céu, nem barro posso fazer! Ô chuva danada que nem lembro direito a cara, só terra e mandacarú, terra e mandacarú, e quando corto um está seco feito farinha, que foi as duas únicas coisas que sobraram pra gente comer , farinha e miolo de mandacarú! Uma é branca outro é vermelho, e eu cor de terra seca já fazendo parte desse chão igual planta que brota mas nem vinga! Bem que o céu poderia abrir um pouquinho e tornar-se cinza pra molhar tudo por aqui, até eu, que nem sei mais como é que é. Vida dura essa minha sina sem estrada nem ribeirinha, quem dera um grotão que nem sequer é coisa desse chão! Falaram pra mim de uma tal sete quedas, tombo aqui só o meu quando cutuco pedra achando que do chão é torrão. Testa molhada até que eu tenho, e se bobear, é a coisa mais molhada que eu me lembro, porque o resto é empapado igual meu pensamento! Mas me disseram que tem tanta água nesse chão, que só não sobe porque aqui é alto, e fica tudo lá pra baixo noutras terras. Porque é que eu nasci aqui, é que não sei. Mas cadê força pra andar pra lá, se bem que pra baixo todo santo ajuda, mas se ajudasse fazia o céu chorar. Tenho mais fé não. Nem no alto, nem no chão, tenho só ouvido meu coração gritando e se perguntando: canto de cá porque, se o de lá que é bom? Eu já andei tanto nesse chão poeirento, que se fosse em linha reta pra baixo já tinha encontrado quatro das sete quedas pelo menos! Nem precisava, que na primeira eu mergulhava e já tirava essa casca do couro, pra saber de que cor é que eu sou! Eita vida lazarenta, que nem me deu a certeza de um dia melhorar! Sorte quem tem é calango, que qualquer sobra serve de encosto, até dormir o maldito dorme! Eu só descanso quando o escuro vem, e depois de meia hora que os miolos esfriam, de tão cozido que o dia deixa! Eita sorte desgraçada, me deu um chão seco e uma enxada pra plantar, diabo, o que? Só se for pra regar com lágrima, mas seco como tô, e acostumado com isso tudo, só me resta é suspirar, e acreditar no dito popular que o sertão vai virar mar! E rezar muito, porque eu nem sei nadar! Eita destino filho de uma égua !
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
O SABIÁ...

E assim que o dia amanhecia, eis o sabiá em minha janela. Como todos os dias, eu já o esperava, cantando, farfalhando as brumas da manhã com sua alegria mais que jovem, meio maritaca, coisa de aves da manhã de primavera. Aliás, ele chegava sempre antes das maritacas. Era ele quem anunciava o dia, como que querendo sentir o orvalho nas flores antes de outros pássaros. E era com seu canto, com seu barulho, que eu acordava. Me espreguiçava e dizia: bom dia. E parecia que o sabiá ouvia e retribuía cantando mais, fazendo bagunça na minha janela, onde ao lado há a jardineira com as flores. Era eu acordar, e o sabiá voava para a praça em frente à casa, como que com o trabalho feito. E eu tinha um dia feliz. De repente comecei a acordar mais tarde, e já não havia mais o sabiá. Mesmo agora, quando acordo cedo, fato raro, não escuto o sabiá mais em minha janela trazendo a manhã. Nem maritacas. Em breve elas retornarão, pois trazem o verão consigo em suas asas verdes com rajadas azuis da cor da tarde,e suas cabeças amarelas feito o sol. Mas o sabiá... Esse sumiu, levando consigo o meu bom dia que ele ouvia e retribuía. Não vou mentir que tenho ouvido um canto diferente meio distante, pelas manhãs. Não é do sabiá, nem mesmo sei que pássaro é, se sanhaço ou um vira-bosta (ps) qualquer, se solto ou de alguém. Mas não me vem à janela, nem me acorda todas as manhãs cantando pra mim. Os dias passam, a vida passa assim,dessa maneira... Trazendo presentes, e levando-os embora junto com as estações.tenho fé que o sabiá dos meus bons dias esteja em alguma janela por aí, acordando um outro sonhador... Que levante cedo o bastante para lhe responder, coisa que o afastou por eu não ter mais acordado a tempo de lhe desejar... Bom dia meu sabiá. Onde estiver...
Ps: vira bosta é o mesmo que o pássaro preto, e é assim chamado em algumas regiões do norte e nordeste.
E VIVA OS ANOS 80 !!

"Eu quero uma camiseta do boy djódjia!" não acreditei naquela frase. Virei-me para tras devagar, olhei a figura de cima abaixo: mais ou menos um metro e meio de altura, cor de quem toma sol mais da conta, cabelos tão enrolados que a água para entrar seria o mesmo que um bandeirante desbravando as selvas do mato grosso tentando descobrir onde, afinal, estava a porra da linha do tratado de tordesilhas, um vestido tão estampado que Frida Kalo teria tido inveja, e olhos enormes... Negros iguais jabuticabas, olhando para mim e para a vendedora querendo dizer: se afaste, infiel, porque eu vim comprar uma camiseta do Boy Djódjia! A vendedora me olhou, virou pra pobre criatura e disse: "desculpe bem, mas eu não tenho essa camiseta que voce falou, nem sei o que é". Eu calado estava, calado fiquei. Havia entrado ali para comprar uma boxer branca inexistente, e a vendedora tentava me convencer a levar uma preta, mas meu perú não está de luto. Ainda não, pelo menos. "olha aqui, minha filha, voce tá achando que não tenho dinheiro é??? Olha aqui a carteira, queridinha, eu tenho dinheiro porque trabalho, e não sou ladrona nem inguinorante, eu só quero saber se voce tem uma camiseta do Boy Djódjia porque eu vou numa festa dos anos 80, e quero estar vestida pro tempo! Acendeu uma luz no meu cérebro,bem ali naquele vão enorme reservado aos melhores anos de minha vida. Falei para a vendedora com cara de susto e de quem descobriu que o ovo de Colombo parou em pé porque estava cozido: "ela quer uma camiseta com a estampa do Boy George! Aquele cantor do Culture Club!" e a menina me puxou pelo braço assustada, com receio de levar a camiseta errada: "nãããoooo, não é nesse clube aí não a festa, é na casa de uma amiga minha! Sabe o que é, o irmão dela vai fazer uma festa de anos 80, e a Mariínha, uma moça que arruma cabelo lá perto de casa disse que nos anos 80 só tocava Boy Djódjia que era uma bicha cantora de muito sucesso. E eu queria uma camiseta pra chamar atenção do povo, o Ricardo vai estar lá!" eu não fui nem doido de perguntar quem era o Ricardo. Depois da Mariínha cabeleireira, o Ricardo que se lascasse! A vendedora disse que realmente não tinha o Boy Djódjia, mas tinha umas com glitters bem acesas, ela iria gostar. Eu, que já me encontrava totalmente esquecido e à salvo de ser convencido a levar uma boxer preta, achei melhor olhar pros lados como se procurasse uma nota de 50 reais alada, e fui saindo de mansinho. Mas dei dois passos e pensei: "não... Desaforo isso... " voltei e peguei as duas discutindo qual cor se usava nos anos 80, com a garota adorando a idéia da camiseta com glitter piscando mais que tarado em esquina. Cheguei perto das duas, que me olharam, olhei a camiseta e falei em alto e bom som: "nos anos 80 não existia glitter em roupa, era lantejoula bordada!" saí da loja tranquilo, ouvindo a baixinha retrucando: "olha aqui, minha filha,se vc não tem o que eu quero não vem me enrolar porque eu trabalho, sou honesta, e não sou boba, fique sabendo vc, tá afim de me enrolar, cacete????
