domingo, 1 de fevereiro de 2009

MELANCOLIA...

As vezes me bate uma melancolia que eu nem sei de onde vem. Talvez seja saudade, talvez indiferença, talvez medo de algo que não se revelou ainda, talvez simplesmente preguiça. Só sei que ela vem, me deixa assim, e pronto. Se aloja. Parei para pensar no passado esses dias. Passado recente, nada tão distante que deixe lacunas em meu pensamento, passado de ontem, antes de ontem, de poucos anos. Das pessoas que se aproximam, que se vão, outras que fiz irem, e do bem que elas fazem quando vem, e quando vão. Cada um é parte de um momento, ninguém é parte do todo. Cumprem sua função de divertir, de ensinar, ou de ser figurantes, apenas. Mas cumprem alguma função. Algumas deixam alegrias, outras se tornam presentes, outras deixam amarguras, e algumas uma enorme sensação de alegria quando se vão. Pra longe, preferencialmente. Quem fica de verdade, não vai a lugar algum. Nem na esquina dos contratempos, nem na casa das dúvidas, fica e ponto final. Muito louco isso da vida ser como vento, que traz a poeira mas leva a terra solta que não serve pra plantar nada. É tanta gente que vem e vai, que alguns não dá tempo sequer de conhecer. E tudo isso valendo para nós também, enquanto na vida das pessoas. Tudo sempre girando, as vezes sem tempo pro cumprimento, quanto mais pro conhecimento e reconhecimento. E é sempre nesses momentos que paro pra pensar em algo, que a melancolia vem. Vai embora logo, também, porque a vida não suporta ninguém parado pensando na vida. A propósito, meu tempo de devaneio acabou, tenho que ir cuidar da vida. Pelo menos até o próximo suspiro,lembrando de alguém que veio, e nem compensou o tempo que esteve ao lado, só se fazendo notar, talvez, pelo tão pouco que vale. É, é melhor eu ir...

sábado, 6 de dezembro de 2008

O Grande Amor...

Eu nunca pensei em viver o grande amor. E ele veio assim, aconteceu. Pensei que já conhecesse todas as formas de amar, pai, mãe, avós, irmãos, amigos, e namoradas que insistiam em poluir meus sonhos e meu sossego, mas amar... daquele tipo de amor que vem e te arranca o sono, te tira a fome e a paz,nao.
Mas não é que aconteceu? Não buscava nunca mais que a companhia, o prazer de ter alguém do lado, que horas agradáveis de riso festa e carinho, não buscava nada. Mas de novo digo: aconteceu. Eu achava até que um dia viveria um amor daqueles que dizem que basta olhar nos olhos para sentir algo diferente, seguir o perfume doce da dona que passaria e mexeria com meu coração, mas balela... o amor quando é grande mesmo, ele brota onde já existe a faísca, mesmo que voce não tenha sequer a consciência da brasa. Para exemplificar, ele nasce de onde já existe o bem-querer.
Conheci minha mulher como num verso de poeta, que diz que fulana amava o ciclano que era amante da beltrana, e o cidadão aqui apaixonado pela fulana sem saber, mas namorando a beltrana. Se acompanhar, entenderá a ironia do que é o amor. Até que o destino traiçoeiro para os pecadores colocou fulana e o cidadão frente a frente curando mágoas um do outro, e se viu então o sentimento ali, feito dragão de boca fechada esperando a hora certa de baforar o fogo do desejo. E se deu tudo de uma vez, de uma hora para outra: a vontade de estar juntos, o beijo na boca com bafo quente nos lábios querendo mais, o desejo de estar nu tremendo de frio e aquecer o corpo com o calor do outro, agarradinhos pra nunca mais soltar.
E aí sim, eu vi o que era o grande amor: uma cilada feita de prazeres, beijos, abraços e uma quentura que vem da alma e aquece tudo que parece sem esperança. Uma enganação da sanidade onde o medo de perder faz chorar, onde as brigas trazem junto o receio da palavra "adeus, vá embora", e a certeza que a vida, essa sim, nunca mais será a mesma. Porque embora ela continue a mesma, voce que muda a maneira de ve-la. E aí, voce até acha que o amor não vai ficar maior, posto que parece impossível. Impossível é acreditar nisso, ele se despeja em gozo, fecunda, e prova que o grande amor é fruto, é seu riso, sua cara, suas horas de sono totalmente perdidas mas compensadas num sorriso que diz "pai", e então, quando à noite ele dorme, nos braços de quem é vogal e voce consoante da palavra "amor", voce se abraça, e vê que o grande amor é feito de partes, compondo um todo chamado família. E seu choro vem de quando em quando, escrevendo versos, histórias, ou simplesmente olhando pro grande amor de sua vida: quem te concedeu frutos, e os frutos dessa grande árvore que voce rega todos os dias com o calor do seu coração.
E a vida? A vida passa a ter todo sentido. Esse é o grande amor... o que frutifica, e te faz parte.
O que faz voce achar que a vida compensa, porque voce ama, e é amado.

quarta-feira, 28 de maio de 2008


Preciso correr. Correr contra o tempo, correr, correr, correr. Não descobri ainda porque o céu é azul, e não de outra cor. Tampouco porque pássaros voam, golfinhos nadam, jubartes cantam, e o vento por entre as folhas de uma árvore também. Não descobri porque crianças levam 1 ano para andarem, e outros animais alguns minutos, nem porque uma lágrima de criança comova tanto, assim como o olhar de um pobre velho doente. Preciso correr, mais depressa que os amigos, para esperá-los logo mais ali na frente, correr para dobrar as curvas do meu caminho com tempo e calma, não correndo o risco de dobrar esquinas erradas. Correr... correr... Correr para tentar voltar a sentir o perfume de coisas que o cigarro não me permite mais sentir, correr para entender pq adultos estancam diante do problemas, enquanto as crianças caem, caem, mas estão sempre seguindo adiante em busca do que querem, independente dos obstáculos. Ainda preciso descobrir pq crescemos tanto, e ao invés da vida se tornar mais fácil, se torna mais dura, porque trabalhamos tanto, e quando estamos velhos e vamos descansar, não temos força, nem ânimo, nem saúde para fazermos tudo que sonhamos anteriormente. Quero descobrir porque algumas flores são rosas, outras brancas, outras violetas, outras margaridas. E porque algumas são rosas, mas de tantas cores são que nem sei ainda dizer quantas são, mas pra isso vou correr. Para descobrir. Porque hoje, eu senti uma coisa com muita força: que preciso correr. Correr se quiser ver tanta coisa que ainda quero ver, porque meu tempo... bom, é melhor correr... há tanta coisa ainda a fazer, ver, descobrir... nem sei se compensa... estou cansado. Pela primeira vez em minha vida, eu me sinto assim: cansado...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

A FORÇA QUE NUNCA SECA...


Outro dia assisti a um filme dado por uma amiga, que falava sobre a dificuldade de enxergarmos o que acontece à nossa volta, e tb sobre sermos aquilo que queremos ser, em determinado momento, e mais nada. Fiquei impressionado com essa idéia de prestarmos atenção a tudo ao redor, porque costumamos nos focar na vida, no momento, e não repararmos em mais nada. A idéia é que sejamos o que queremos ser, pois assim damos o melhor de nós, e enxerguemos tb as coisas ao nosso redor, por menores que sejam, para podermos entender a dimensão e os detalhes de cada coisa, por mais insignificante que sejam. Parece muito louco isso, mas ao contrário, é fantástico. Lembrei-me de quando quis fotografar em modo macro uma folhinha da planta quebra-pedra, e só na foto reparei que na folha havia flores, e bonitas. Aprender a olharmos os detalhes de cada coisa, de cada atitude, de cada ação, nos revela muito do que aquilo ou aquela pessoa é, e até mesmo, às vezes, a próxima atitude dela, por conhecermos tão bem a isso. Eu sempre gostei de tentar enxergar os detalhes de cada pessoa, no sentido de conhecer melhor a mim, e a elas. E prestar atenção nas coisas ao redor tem sido um exercício de vida maravilhoso. Dá impressão de perda de tempo, ir passando e registrando cada detalhe de tudo, mas me sinto como parte do universo. E muito, mas muito mais sensível a tudo, porque tenho a impressão que estou aberto a tudo também. Há alguns meses atrás ganhei um vaso de lírios corais tigrados, a flor de meu santo. Durou bastante, mas secou de uma hora para outra. Cortei o pé todo, peguei o vaso e o plantei em um vaso maior. Sei que lírios precisam ter seus bulbos retirados, guardados, e replantados na época certa. Não me importei, era um presente ao meu santo. Dias depois, apareceram algumas folhas. Saíam, e secavam. Com esse novo hábito de prestar atenção melhor em tudo, todos os dias andei acompanhando o pé de lírio. Começou a criar força, soltou 4 hastes de 10 cm de altura cada um. De repente, um botão. Lírios crescem muito antes de dar flor, mas com 10 cm, soltou um botão. Quando vi, senti um calor por dentro, e a mesma energia quando entro em contato com meu santo. Senti o dedo dele ali. Todos os dias eu passo, vou até o vaso, e procuro sentir a força daquela planta. Ontem o botão estava grande, todo alaranjado, e vi que abriria em dois ou tres dias. De madrugada ainda o olhei, e me surpreendi com ele tão pequeno, quase dando flor. Hoje amanheceu assim, aberto, maior que o próprio pé. Como o filme, ele acreditou no momento dele, que poderia florescer, embora pequeno pra isso, e deu essa flor enorme, e linda, em plena magnitude. E eu senti que essa flor veio para mim. Em um momento muito bom, muito importante. E a recebi com a mesma energia que ela despendeu para poder abrir, mesmo o pé sendo tão pequeno e frágil. Uma lição de vida, onde a beleza que temos para colocar para fora não depende do tamanho que temos, mas da força que exercemos para exteriora-la. Use sua força vc também, para mostrar a si mesmo que pode. Você vai se surpreender muito, com tudo que você é e pode fazer.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

TIGRE BRANCO NÃÃÃOOO!!!


_"Professor, tô afim de pintar um tigre branco".
Confesso que gelei. Eu não sei porque, de uns tempos para cá, passei a não achar tigre um bicho tão interessante.E tigre tá manjado demais, nem representa nada para nós, se formos analisar bem, e positivamente.
_"Onça. É felino, mia, come bicho, e brasileira. Pinta uma onça, tem até mais personalidade, lembra a do Beto Carreiro? Onção!"
_"Ah, não... sei lá porque, entende, eu tô pensando num tigre de Bengala branco! Exótico!"
Eu não sei porque a juventude aborrescente não se suicida. Quer pintar coisa exótica, pinta Madonna de bobs, cacete, tinha que ser logo um tigre branco? Não estava muito a fim de stress em pleno sábado, portanto mudo fiquei enquanto me dirigi para a garrafa de café, me muni de um copo de 200 ml cheio, respirei fundo, fechei os olhos na direção dela e repeti calmamente: _"Onça. Tem que ser patriota, Lulla foi definido um líder mundial, a onça e tudo que for brasileiro, até tatu-bola, tá em alta! Acorda pra vida, menina, voce tem 18 anos e acaba de entrar na faculdade para relações internacionais, dá pra representar teu país até na parede da tua casa??"
_"Ah, professor, mas eu vim decidida a fazer um tigre de Bengala branco! Adoro listras, nem curto bolas".
_"Não estou me referindo à sua situação sexual, Regina, muito menos tigre branco é de Bengala, ou usa uma. Listras te caem mal, voce é gordinha, bolas tem mais a ver com voce. Façamos uma jaguatirica então, um gato do mato, mas tigre tá fora de questão."
_"Nem sei o que é jaguatirica (eu estava de olhos arregalados já), gato do mato não quero, quero é tigre branco!"
_"Eu acho que voce deveria pintar um jardim inglês cheio de hortênsias pra todo lado, e um coreto no canto, se bobear a Cinderela junto biscateando com o Príncipe Namor!"
_Ai, professor, que coisa! Quero o tigre branco, e sem chance de mudar! Cinderela nem tem a ver com o Príncipe Namor, se ainda fosse uma sereia..."
Sem mais querer discutir depois disso, catei meu livro enorme de bichos em 4 volumes definidos por aves, mamíferos, glicídeos, protídeos, etc. O livro de mamíferos foi sacado abruptamente da minha mão, achei melhor olhar o de peixes! De repente, enquanto eu olhava um baiacú inflado feito repolho com espetinhos de frios da tia nos anos 70, ecoou um grito que fez o baiacú do livro ir ao chão com meu copo de café e tudo!
_"Aaaaai que coisa mais linda!!!! Achei o que eu vou fazer, é isso que eu quero!!!!"
Peguei outro café e olhei com olho de peixe-baiacú-morto na direção da revista esperando meu fim ali mesmo, esturricado como aquele repolho que mencionei no "final" da festa da tia. Era muito aborrecimento pra pouco dinheiro, viu... olhei a foto, e arregalando esses olhos enormes pra te ver melhor que Deus me deu, falei:
_"Mas isso é um Panda!!! Isso não é tigre branco, é um panda!!!"
_"Ai, professor, não vai ficar lindo? Mas precisa pintar a savana africana de fundo, que é onde ele vive!"

Ela tem 18 anos... prestou vestibular para relações internacionais e passou de primeira... fala espanhol, e inglês fluentes... e decerto não quis fazer a onça, porque pensou que fosse um hipopótamo! Que bom que ela escolheu o Panda... que bom! Será que ele se acostuma correndo de leões em plena savana africana? Duvido muito, é a extinção plena e absoluta do pobre bicho! E a minha por tabela! Orem, de repente ela consegue!

quarta-feira, 26 de março de 2008


Não se pode esperar que ninguém seja igual a nós. Nem que nós sejamos iguais a ninguém, embora até tentemos nos esboçar e nos espelhar em alguém. Acho que o mundo se encarrega de lapidar cada pessoa segundo sua essência, sua criação, seus sonhos e seus conceitos, salvo quem não tem nenhum.O importante é encontrar seus pares, seus iguais ou complementos, e assim continuar evoluindo nos pensamentos, modos e convicções. Como nem todo par quer dizer igual mas na mesma vibração, o engano é comum, o que também faz parte. O problema todo é quando você começa a se preocupar com o outro, por ser amigo ou alguém chegado. Como não há igualdade plena de atitudes e pensamentos, uma hora a convergência vem. E há momentos onde simplesmente é necessário abrir mão dos conceitos, do sentimento de cuidado e conselhos, e deixar o mundo fazer sua parte. Esperar ou não, a partir daí, é uma opção sua. O maior exemplo de que as coisas precisam fluir por si só, é o tempo: queira você ou não, os segundos, minutos, horas e dias continuam passando normalmente, independentes de suas dúvidas, seus problemas. O que garante: o problema é seu, se seu for... e do outro, se dele for. O que conta a partir disso, é onde seu problema atinge o outro, e onde o problema dele lhe atinge. Aí sim, você julga o que fazer: deixa a pessoa ir e fica olhando, ou se deixa ir e vira na direção de outro par que precise de companhia pra ouvir, falar, dividir, rir, chorar ou simplesmente ser amigo. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... E que se encarregue do fardo e do gozo disso. Ouvindo Caetano, ou não... E nunca necessariamente nessa mesma ordem.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A SUPREMACIA DE ABIGAIL, A LAGARTIXA


Abigail apareceu aqui em casa tem um mês e meio, mais ou menos. O dia que a vi pela primeira vez, aqui na parede atrás da escrivaninha onde fica o pc, eu me arrepiei todo (não mato lagartixas, são os únicos répteis que vivem ambiente doméstico, e é necessário preservar este réptil que não faz absolutamente nada ao homem). Conforme notei sua presença, fiquei paralisado, olhando aquela lagartixa, enquanto meus olhos ajustavam o foco. A maior lagartixa que já vi, dessas de parede, que ficam brancas,cinzentas,mescladas,beges, de acordo com o local em que estão. Devagar, estiquei a minha mão em direção à camera digital, aqui ao lado, e quando tornei a olhar ela se escondeu por detrás de um quadro na parede, e em seguida sumiu por uma fresta da telha. Sinceramente? Não tenho medo de lagartixas, mas Abigail... me causou mal-estar. A cabeça dela parecia a de um lagarto pequeno, e me lembrei das lagartixas do mato, grandes. E todos os dias, aqui no salão, vira e mexe eu via Abigail. E pensava: rapaz, isso não é uma lagartixa, é um lagartinho. Ela me via, e só quando eu chegava muito perto ela corria, e se escondia. E todos os dias, a sua presença me incomodava, me olhando por detrás dos quadros, só a cabecinha de fora... Enorme. E eu pensava: isso não é uma lagartixa, é um lagartinho. Acostumei com Abigail, assim como ela se acostumou comigo. Eu aqui, teclando, e ela ali, na parede a meio metro de mim, atrás do monitor, comendo bichinhos. Cada corrida dela em direção a um ser voante, me sobressaltava pelo seu tamanho. E eu pensava: eu tenho a maior lagartixa da face da Terra, um lagartinho que pensa que é lagartixa. Um dia domestico a Abigail e ponho na coleira! E pensava mais além: Abigail é a supremacia das lagartixas, sabe que é tão grande, que não teme minha presença, me respeita e sacou que eu a respeito pelo seu tamanho. Hoje, subindo a escada pro salão, vi Abigail ao lado do cadeado da porta do salão. Fiz shiii... E ela nem se mexeu, acostumada comigo que estava. Peguei o chinelo e bati na porta, pra espantá-la. Ela se moveu meio centímetro, e grudada na porta, ficou olhando pra mim com a cabecinha levantada. Bati de novo, e ela pulou em mim! Tropecei um degrau para trás, pronto para despencar escada abaixo. E percebi, em segundos, que Abigail era uma lagartixa, eu achava que ela fosse um lagartinho, mas ela já estava se sentindo um jacaré do papo amarelo! Grudado no corrimão da escada, catei o chinelo e bati tanto em Abigail, que só parei quando seu rabo ficou pulando de um lado, e a cabeça despregou do corpo.
Azar dela se lagartixas são os únicos répteis que vivem em ambiente doméstico! A supremacia é algo muito bom, mas é necessário saber lidar com ela, senão o risco de perder a cabeça é eminente!